Passada a pandemia, nosso sistema de saúde voltará a ser o que era, ou seja, ruim.

Mais uma vez o país vai perder a oportunidade de dar um jeito no seu sistema de saúde


Renato Luis Mendonça Davini/divulgação - 27.mar.2020


Os hospitais de campanha são obras necessárias diante da atual situação do sistema de saúde, grandiosas, rápidas, vistosas e que geram ótimas cenas nos telejornais, principalmente em imagens aéreas. Eles dão uma sensação de segurança de que todos os doentes terão as suas camas e respiradores garantidos. Na verdade, eles são uma solução emergencial para encobrir o caos da saúde pública brasileira.


A pior parte desta história não o mascaramento da nossa precária saúde, mas as denúncias de desvio de verbas públicas que já começam a pipocar na imprensa. No Rio de Janeiro as suspeitas de maracutaias nas montagens dos hospitais de campanha começaram já pelas propostas onde todas elas tinham textos e especificações técnicas idênticas conforme matéria do G1 Aquisição de hospitais de campanha tem proposta plagiada e 'concorrente' fantasma no RJ isso sem contar que as propostas foram anexadas após a assinatura do contrato.

Outro indício de irregularidade é que a empresa vencedora, o Instituto de Atenção Básica e Avançada à Saúde (IABAS) está proibida de ser contratada pela Prefeitura do Rio de Janeiro por envolvimento em irregularidades. O investimento é de R$ 835 milhões.

Em Fortaleza (CE), o vereador Marcelo Mendes fez uma denúncia ao Ministério Público pelos gastos de R$ 80 milhões para a construção do hospital de campanha no estádio Presidente Vargas com 200 leitos. Segundo ele, a cidade já conta com inúmeros outros hospitais com capacidade de atendimento. Link da matéria Vereador de Fortaleza denuncia Prefeitura por gastar R$ 80 milhões para construir hospital de campanha - Coronavírus


O mais estranho é que tanto no Rio de Janeiro quanto em Fortaleza, os custos para a montagem de um hospital de campanha não ficaram abaixo dos R$ 80 milhões. Em São Paulo, por exemplo, de acordo com matéria da Folha de São Paulo, o custo de montagem do Hospital de Campanha no Ibirapuera com 240 leitos, a ser inaugurado no próximo dia 1 de maio, será de R$ 12 milhões com o custo mensal de manutenção de R$ 10 milhões.

https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2020/04/com-hospital-de-campanha-no-ibirapuera-sp-tera-2240-leitos-temporarios-para-coronavirus.shtml


Nem precisa ser um gênio da matemática para ver que há muita coisa errada nos valores. Só lembrando de que todas esses serviços foram contratadas sem processo de licitação, de acordo com lei aprovada pelo congresso.

E qual será o benefício desses hospitais ao sistema público de saúde após a pandemia ? Nada, ou quase nada. Ao contrário de se utilizar a verba para equipar ou ampliar os hospitais existentes, prefeitos e governadores optaram pela solução mais marqueteira, de alto custo de implantação e que, passada a pandemia, não irá gerar custo mensal de manutenção.

O benefício será, de no máximo, os hospitais existentes receberem camas novas e alguns respiradores, isto é, se esses equipamentos não forem alugados, desviados ou sucateados.


Já assistimos à 2 filmes semelhantes com as organizações da Copa do Mundo e das Olimpíadas onde milhões foram desviados deixando apenas elefantes brancos e muitos processos judiciais. Agora, não nos restarão nem elefantes brancos e muito menos quem responsabilizar.

É um golpe quase que perfeito.


Eduardo Augusto Sona é jornalista, radialista e diretor da Travel TV Brasil


0 visualização

© 2019 - Direitos Reservados

para Travel TV Brasil

Louveira - SP

contato@travel.tv.br

 

  • Facebook Social Icon
  • Twitter Social Icon
  • Google+ Social Icon