O outro lado do terror

O distanciamento social é um mal necessário em tempos de pandemia e ainda pode render bons lucros.



O que eu mais ouço por aí é a frase: não aguento mais ver e ouvir sobre essa pandemia na tv.

Ligue em qualquer emissora de TV e em qualquer horário e o coronavírus está lá, firme e forte. Você e sua família acordam, tomam café da manhã, almoçam e jantam com ele todos os dias. Já há um consenso de que a abordagem da mídia à respeito da pandemia está muito perto da histeria. Mas, o que os veículos de comunicação, principalmente as emissoras de televisão acham disso tudo ?

A resposta é simples: MUITO BOM, SENSACIONAL !


Um estudo realizado pela Kantar, consultoria líder global de dados e que atua em mais de 90 países, apontou que 79% dos brasileiros consideram a televisão o meio mais confiável para obter informações sobre a pandemia do novo coronavírus.

O estudo intitulado Kantar Thermometer foi realizado entre os dias 13 e 16 de março e entrevistou 500 brasileiros acima de 18 anos.


O estudo analisou os investimentos publicitários neste período de isolamento social e detectou que o tema “coronavírus” esteve presente em 20% dos filmes publicitários lançados no período com 1.347 inserções de TV. Só no domingo 22/03, as emissoras brasileiras veicularam 500 peças comerciais sobre o tema. Os principais anunciantes são os bancos, empresas farmacêuticas e varejistas.







Além dos investimentos publicitários das empresas, as emissoras receberam uma ajuda extra dos governos federal, estaduais e municipais.


O estudo apontou ainda que o Brasil é o segundo maior preocupado com a doença no mundo, ficando atrás da China.

Quem quiser acessar o relatório completo, o link é https://br.kantar.com/mercado-e-pol%C3%ADtica/sa%C3%BAde-e-esporte/2020/thermometer-ed2/


No momento em que as emissoras detectaram esse forte interesse dos brasileiros, elas passaram a investir no jornalismo, até porque, foram obrigadas a paralisar as demais produções. Investir no medo e no sensacionalismo sempre foi um caminho interessante para segurar o espectador na frente das telas. Soma-se a isso, a necessidade de manter a população isolada em casa. É a tempestade perfeita para veículos e anunciantes.


A questão é saber se esse remédio em excesso não vai causar mais estrago do que a cura. Terror midiático em excesso cansa o espectador e isso poderá se voltar contra os anunciantes e emissoras.


Eduardo Augusto Sona é jornalista, radialista e diretor da Travel TV Brasil


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