O Coronavírus assusta. A mídia também.

O coronavírus é altamente contagioso assim como o medo.

Foto do site da OMS News


Conecto-me à qualquer site, ligo a TV ou o rádio em qualquer emissora, folheio um jornal ou uma revista e ele está lá: Coronavírus, o assunto mais comentado dos últimos meses. Por aqui, ele começou dar as caras logo depois do carnaval. Até então, era um problema distante de uma cidade chinesa mais distante ainda. Em pouco tempo, nós nos vemos como protagonistas de um filme catástrofe.


Se a situação já não é das melhores, adicione ao jornalismo altas doses de dramaticidade em forma de imagens, textos e medo. No Reino Unido, entre janeiro e fevereiro foram publicadas cerca de 9400 histórias sobre o Coronavírus. Dessas, mais de 1.000 artigos mencionaram as palavras medo, receio e vírus assassino.


Por ser a primeira pandemia com cobertura total pelas redes sociais, as mídias tradicionais e os profissionais de comunicação se viram desafiados e encurralados pelas postagens de pessoas comuns no Facebook, Instagram, Twitter e Youtube com linguagens diretas e rápidas. Por diversos momentos, as redes sociais pautam o jornalismo e no Brasil isso não é diferente.


De acordo com a professora de jornalismo Karin Wahl-Jorgensen, da Universidade de Cardiff, diversas pesquisas mostram que, quando um assunto recebe ampla cobertura pela mídia, ele passa a ser visto como o mais importante pelo público. Agora, se você acha que a mídia brasileira exagera, fique tranquilo. Leia um trecho da reportagem do jornal Telegraph sobre a epidemia em Wuhan:


“Pacientes que usam máscaras desmaiam na rua. Centenas de cidadãos assustados formam filas apertadas, com risco de se infectarem, em corredores estreitos de hospitais, enquanto esperam para serem tratados pelos médicos em ameaçadores trajes brancos. Um médico ansioso grita de angústia.”

Pois é, a mídia brasileira pode ser um pouco mais contida do que a britânica mas, o que também nos afeta é a polarização política que o assunto promoveu com a disputa entre o Presidente Bolsonaro, os congressistas e os governadores.


Realizei uma rápida pesquisa na minha página do Facebook com a seguinte questão:

Você acha que a mídia brasileira exagerou na cobertura da pandemia ?”


Cerca de 80% das pessoas disseram que sim, a mídia brasileira está exagerando.

Mas, o que mais chamou a atenção é que, inicialmente, as respostas se concentravam na cobertura sobre a pandemia. Cada leitor deixava clara a sua posição, alguns deles, com dados. Aqui também se repetiu a experiência inglesa, ou seja, pânico e medo foram as palavras mais utilizadas.


À partir do momento em que um leitor colocou o tema político no meio da conversa, o assunto saiu totalmente do problema do coronavírus e se voltou para a manipulação política dos veículos de comunicação, em especial, à Rede Globo e seus telejornais.


Além do medo que a pandemia apresenta, agora os brasileiros são jogados no meio de uma disputa política visando as eleições de 2022, o que gera mais incertezas sobre o futuro.

Essa batalha transmitida ao vivo pelas redes sociais e mídias tradicionais tem tudo para fazer com que o medo se transforme em histeria. Se já não bastasse a pandemia, agora temos que também nos preocupar com a economia. Aí já é demais.


Eduardo Augusto Sona é jornalista, radialista e diretor da Travel TV Brasil



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