Notícia sob medida

Como os dados podem servir a dois senhores.


Em primeiro lugar, dê uma olhada nestes dados que foram coletados em sites oficiais da Itália, Brasil e Governo do Estado de São Paulo:



Agora, como você quer que eu dê a notícia ?

Do jeito alarmista ou tranquilizante ?


Pois bem, esse é o dilema que os jornalistas estão vivendo neste tempo de pandemia. Dependendo de quem é o patrão, a leitura dos dados pode resultar em Armageddon ou um sopro de esperança no futuro da humanidade.

Vou tentar, rapidamente, exemplificar as duas versões:


(Ligue o Aerosmith bem alto com a trilha do filme Armageddon)


Itália ultrapassa a casa dos 20 mil mortos e o Brasil a dos mil. São Paulo segue com quase 9 mil infectados, quase a metade dos casos do país inteiro.

(Agora troque o rock por algo mais relaxante)


Número de italianos curados ultrapassa a casa dos 35 mil, superando o número de mortos. Em São Paulo, estado com mais casos registrados, número de curados e isolados chega à 6.400 pessoas, 75% do número total de infectados.

A situação é crítica ? Sim, claro que é. Devemos manter todos os cuidados para a não contaminação. Por outro lado, há um certo exagero na imprensa e nos gestores públicos que defendem posições antagônicas sobre o isolamento. Soma-se à isso, um número sem fim de analistas, especialistas e corneteiros do apocalipse que fazem plantão diariamente nos telejornais e portais. Todos sabem de tudo, mas não acertam quase nada.


O chefe do programa de modelos matemáticos do Imperial College de Londres, Neil Ferguson, cravou que o Reino Unido teria 500 mil mortos e os Estados Unidos, 2 milhões. Semanas depois, reduziu esses números para 20 mil na terra da rainha e 100 mil na terra do Trump.


Em São Paulo, o Diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, cravou em 06/04 que, no dia 13/04, São Paulo registraria 1.300 mortes se o isolamento fosse adotado e 5 mil mortes, sem isolamento. Hoje, a data fatídica, o Estado de São Paulo regista 588 mortes, menos da metade do que foi previsto.


O brasileiro está sendo bombardeado 24 horas por notícias que vão de músicos isolados criativos que passam a quarentena compondo em suas casas, famílias lindas que poderiam fazer comercial de margarina, à cenas de hospitais de campanha, festivais de números aleatórios e especialistas sobre todos os assuntos. Até agora ninguém me explicou como posso cortar os meus cabelos...


Todas as mortes são tristes e faz diferença. Mas, falando tecnicamente, não se admire se o Brasil sair dessa pandemia com números que contrariam à todas as previsões catastróficas. Tenha a certeza de que cada um dos lados que defende o isolamento horizontal ou vertical vai poder usar esses números para justificar as suas posições.

O incrível é que os dois vão ter a coragem de dizer que estavam corretos.


Eduardo Augusto Sona é jornalista, radialista e diretor da Travel TV Brasil



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