No Amazonas, o vírus mata e livra a cara dos políticos

O Brasil deve ser o único país do mundo onde o coronavírus está ajudando a livrar a cara de muita gente.


Nos últimos dias o Brasil ficou sabendo que o sistema de saúde do Estado do Amazonas, em especial, sua capital Manaus entrou em colapso devido à pandemia do Coronavírus com corpos espalhados pelos corredores e a instalação de caminhões frigoríficos ao lado dos hospitais a fim de armazenar os mortos, ou seja, um caos total.


Porém, a imprensa, que anda muito relapsa nestes tempos de pandemia, esqueceu de fazer o básico que é pesquisar. Basta recorrer à internet para ler matérias como essa:

Mais de 500 médicos saíram de Manaus em busca de melhores condições de trabalho

Em um vídeo postado no último dia 17 de abril, segundo o presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado do Amazonas, Dr. José Bernardes Sobrinho cerca de 519 médicos da rede pública de Manaus foram embora do estado em busca de melhores condições de trabalho. Entre os problemas encontrados pelos médicos, além da falta de estrutura, há o atraso de 4 a 5 meses no pagamento de salários.

Achei também esse vídeo de janeiro de 2016 onde dezenas de doentes estão jogados e empilhados em quartos e corredores de um hospital de Manaus.

Se você pesquisar no Youtube, não será difícil achar vídeos mais recentes que mostram cenas semelhantes do descaso da saúde na capital e em outras cidades amazonenses.


Esses são dois exemplos mostram que o coronavírus acabou sendo um ótimo álibi para livrar a cara do prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto (PSDB) e do Governador do Estado, Wilson Lima (PSC). Provavelmente o Brasil está sendo um dos poucos países onde a pandemia está sendo uma ótima desculpa para encobrir erros de políticos, além dos desvios de recursos. Tenho a certeza de que há muita gente acendendo vela para esse vírus.


Outra notícia que chocou o público foram os caminhões frigoríficos utilizados para armazenar os corpos das vítimas do covid-19:


Novamente, mais uma informação que foi usada como altas doses de distorção e sensacionalismo. Em primeiro lugar, uma norma da ANVISA determina que os mortos vítimas do coronavírus devam ser armazenados em câmaras frias instaladas nos necrotérios.


Porém - ah, porém- em Manaus, o IML está sucateado há anos e não conta com câmara fria para armazenar os corpos. Além disso, sua capacidade é de apenas 20 corpos que, diga-se de passagem, nem precisa do vírus para atingir a sua capacidade máxima.


Outra matéria, essa de 28 de maio de 2019, informa que por falta de espaço no IML, o estado usou um caminhão frigorífico para armazenar os 55 mortos da rebelião no presídio de Manaus, ou seja, usar câmara frigorífica para guardar os mortos já é algo muito comum no estado.

A pandemia por si só, já é um trágico evento mundial que está ceifando a vida de milhares de pessoas. Mas, no Brasil e com a ajuda do sensacionalismo exagerado da imprensa, a histeria das redes sociais e a polarização política, essa tragédia está se tornando ainda pior para milhares de pessoas e muito benéfica para alguns gestores.


Já dá para afirmar que, por aqui, conseguiram transformar o vírus em lobista, assassino de aluguel, cafetão e, no Amazonas, álibi. Aí já é demais !


Eduardo Augusto Sona é jornalista, radialista e diretor da Travel TV Brasil



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