E o saco encheu

Após mais de 1 mês em cárcere privado, acho que o creme desandou

Eu brinco com minha mãe de 81 anos dizendo que ela está em cárcere privado sem direito à habeas corpus. Até que a dona Tereza está se saindo muito bem nesse isolamento e passa o dia assistindo a TV e cuidando dos cães.


A cada telefonema que eu dou, ela reclama de que não aguenta mais ouvir falar em vírus nos telejornais. Eu não li nenhuma pesquisa Datafolha, mas a percepção que tenho no supermercado e nas redes sociais é que todos nós estamos de saco cheio do coronavírus, do Doria, do Bolsonaro, do Moro, da quarentena, do iFood, do supermercado, da Globo, do Bonner, enfim, de tudo.


Isso deve ser um efeito do confinamento que, na minha opinião, começou cedo e de maneira equivocada. Um exemplo foi o caso das máscaras: um tal de usa máscara, não usa máscara e agora todo mundo mascarado. Penso que muitas mortes poderiam ter sido evitadas se desde o início, a população adotasse a máscara e o álcool em gel como equipamentos de proteção individual.


Lembro muito bem do ex-ministro Mandetta, em uma das suas intermináveis entrevistas coletivas, deixando claro de que a máscara não era útil, contrariando o que já ocorria com sucesso nos países orientais.


Os efeitos da pandemia no Brasil entrarão para a história como uma sucessão de disputas e jogadas políticas, desculpas esfarrapadas, marketing e mortes. Como disse no início, o povo está de saco cheio de tudo isso, o que é extremamente mortal.


Fomos jogados em um isolamento antecipado e sem informações, bombardeados por notícias trágicas 24 horas por dia e sem perspectivas de saída do buraco. E agora que chegamos no pico da doença, sabemos um pouco mais sobre ela, mas estamos cansados e sem rumo quanto ao nosso futuro.


Esse é um processo que só terá sucesso se o esforço for coletivo. De um lado a população deve se conscientizar sobre a proteção e do outro lado, os prefeitos, governadores e presidente devem entrar em um acordo para, no mínimo, colocar acender uma luz no fim do túnel.


O que não se pode é deixar o trem chamado Brasil correr na escuridão indefinidamente: ou ele para nos trilhos sem combustível ou bate de frente em alguma parede.


Eduardo Augusto Sona é jornalista, radialista e diretor da Travel TV Brasil


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